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5º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional




Nota dos Organizadores sobre o festival:

O 5° Festival de Verão do RS de Cinema Internacional ocorre entre os dias 12 e 19 de março e marca simbolicamente o final da estação e o início do calendário de festivais no Rio Grande do Sul. Buscando criar uma diversidade audiovisual para os gaúchos, mais de cem filmes nacionais e estrangeiros inéditos, além de jóias da cinematografia em re-exibição, integram o programa do evento. Mesmo que a maior parte da programação seja exibida em Porto Alegre, parte dos filmes também será apresentada em salas de cinema de importantes cidades do interior.

Haverá também exibições de filmes em algumas localidades que não possuem salas de projeção, graças a uma parceria com a Fundacine – RS e o projeto de cinema itinerante RodaCineRGE. O objetivo de levar cinema aos locais que não têm salas de exibição, de acordo com os
 organizadores do Festival, é promover a inclusão cultural e estimular a formação de novas platéias para a arte cinematográfica e para o cinema brasileiro. Santa Maria, Erechim, Guaíba, Rio Grande e Caxias do Sul fazem parte desta edição do Festival. Este é o único festival do gênero do país que se realiza em mais de uma cidade ao mesmo tempo.

Workshops, aulas magnas e sessões comentadas, nas quais diretores, produtores, atores e atrizes trocam idéias com o público, compõem as atividades paralelas, muitas delas gratuitas. Dois dos ministrantes de workshops vem da Argentina: o montador Cesar Custodio, responsável pela edição de filmes que levaram mais de 3 milhões de espectadores no país vizinho e Pablo Meza, diretor do premiado longa Buenos Aires 100 KM. Também haverá uma workshop de Novas Mídias e Formatos Digitais, ministrada pelos jornalistas Fernando Paiva (RJ), Roger Lerina (RS) e pelos cineastas Carlos Gerbase e Marco Altberg, com patrocínio do projeto Celucine da Oi Futuro.

A abertura do Festival foi realizada no dia 12 de março, às 21h, no vão central da Casa de Cultura
 Mário Quintana, ao ar livre e com entrada. Foi exibido do filme Cantoras do Rádio, de Gil Barone e Marcos Avellar. No lançamento estiveram presentes o diretor Gil Baroni e as cantoras Carmélia Alves e Ellen de Lima.

O 5º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional tem patrocínio do Banrisul, Corsan e Fundo Nacional de Cultura e é promovido pela Panda Filmes, Okna Produções e Governo do Estado do Rio Grande do Sul por intermédio da Secretaria de Estado da Cultura. 

Maiores Informações e programação no site www.festivalverao.com.br



Posted on 3/12/2009 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

Watchmen - O Filme


INVERSÃO DE CONTEXTOS

Para analisar o filme como um todo, cabe aqui tratar Watchmen como uma obra cinematográfica em si e não apenas como uma adaptação da HQ de Alan Moore, pois o filme é auto-explicativo e não exige maiores conhecimentos do universo destes super-heróis peculiares.

Zack Snyder já provou em 300, também adaptação dos quadrinhos, que sabe lidar com a plasticidade necessária para converter uma cena parada em algo extremamente belo, independente da violência contida no quadro. Em Watchmen, terceiro filme do diretor que chega às telas brasileiras, as transposições de cenas fotográficas em ações seguem a mesma linha de 300, com muita câmera lenta e navegação digital pelo cenário. Até aí nenhuma surpresa, pois era esperado, ainda mais após os trailers, que estas técnicas seriam utilizadas.

Porém o mérito de Snyder é inserir esta fórmula de clima surreal criada em 300, onde um balé de vísceras enche os olhos como uma obra de arte das mais belas, em um mundo real, respeitando o curso da história, mantendo a veracidade de fatos conhecidos pela massa e inserindo os elementos relativos a história sem que isso torne o filme algo alienado ou sem sentido.

A introdução já pretende encantar o espectador situando-o no espaço e tempo (assunto muito abordado no desenrolar da trama), exibindo uma extensa série de cenas conhecidas por todos, mas pinceladas sob o ponto de vista do universo Watchmen, incluindo o atirador no caso Kennedy, Fidel Castro com centenas de ogivas nucleares, Andy Warhol e suas artes pop e é claro, o auge da guerra fria. Esta seqüencia realmente ficará na história do cinema, pois além de fazer um panorama sobre o período que compreende as décadas de 40 e 80, o faz com a maestria de um diretor que possui bom gosto nos mínimos detalhes.

Além de todo apelo estético, o filme possui muita ação, sendo este um de seus diferenciais para os filmes de heróis convencionais. Apesar de violentas ao extremo, as cenas de ação não mostram nada além do real, como por exemplo, uma bala atravessando a canela de uma mulher, partindo o osso como na vida real. A física da película impressiona até os mais exigentes.

Também tem romance e muitas discussões de relação (as famigeradas DR's) comuns à maioria dos casais. Se precisar, utilize este argumento para levar a namorada no cinema quando ela disser que não quer ver filme de super-heróis. É batata:)

Em tempos de trilogia, assistir um filme que possui uma duração em torno de 3 horas, com início, meio e fim é extremamente prazeroso. Watchmen consegue prender o espectador do início ao fim, intercalando ação, romance e história, com grandes pitadas de humor obscuro. Vale o ingresso. (Mário Pertile)

Assista ao trailer legendado (ALTA DEFINIÇÃO):



Posted on 3/10/2009 by Mário Pertile and filed under , , | 0 Comments »

Curta: "Previously on Lost"




Esse é sem dúvida um dos melhores vídeos já feitos sobre o Lost. Dois amigos conversam sobre o seriado. Um é fã, o outro nunca assistiu. Após fazer as contas de quantas horas são necessárias para assistir as primeiras 4 temporadas, o amigo que nunca assistiu resolve enfrentar uma maratona de 48 horas seguidas antes da estréia da quinta temporada para que ambos possam assistí-la juntos.

O resultado é um curta divertidíssimo tanto para quem é viciado na série, quanto para quem não entende porque tanta gente gosta.

Vale muito a pena. O curta mostra sinteticamente o real sentimento dos fãs de Lost em cada surpresa do personagem principal. Abaixo, segue o vídeo legendado em português (para ativar as legendas, clique no botão inferior direito e selecione o íconezinho de legendas).


Posted on 2/03/2009 by Mário Pertile and filed under , , | 0 Comments »

15º Screen Actors Guild Awards - Vencedores


Neste último domingo (25/01/2009) aconteceu o 15º Screen Actors Guild Awards, evento do sindicato dos atores norteamericanos que premia as melhores atuações entre filmes e séries.

Diferente do Globo de Ouro ou do Oscar, onde o mote são as obras em si, no SAGA os donos da festa são os atores. Por este motivo, a premiação se torna leve e deixa os colegas de profissão todos a vontade, como por exemplo a Maryl Strip, que foi receber seu prêmio surpresa e com uma roupa daquelas de ficar em casa.

É uma premiação interessante por fugir das categorias tradicionais de outros festivais. Aqui encontramos categorias como Melhor Performance de Dublês em série e em longas e também temos a divisão entre séries dramáticas e séries cômicas.

Confira abaixo a abertura do evento e a lista dos vencedores que, seguindo as tendências, premiou Slumdog Millionaire com o grande prêmio da noite, o prêmio de melhor elenco. Claro que o imortal Coringa de Heath Ledger está na lista.






Melhor Elenco
Quem Quer Ser um Milionário? (Slumdog Millionaire)


Melhor Ator
Sean Penn, por
Milk - A Voz da Igualdade

Melhor Atriz
Meryl Streep, por
Dúvida

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger, por
Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Atriz Coadjuvante
Kate Winslet, por
O Leitor

Melhor Ator em Filme para Televisão ou Seriado
Paul Giamatti,
por
John Adams

Melhor Atriz em Filme para Televisão ou Seriado
Laura Linney,
por
John Adams

Melhor Ator em Série Dramática
Hugh Laurie,
por
House

Melhor Atriz em Série Dramática
Sally Field,
por
Brothers & Sisters

Melhor Ator em Série Cômica
Alec Baldwin,
por
30 Rock

Melhor Atriz em Série Cômica
Tina Fey,
por
30 Rock

Melhor Elenco de Série Dramática
Mad Men

Melhor Elenco em Série Cômica
30 Rock

Melhor Performance de Dublês em Longa-Metragem
Batman - O Cavaleiro das Trevas

Melhor Performance de Dublês em Seriado
Heroes

Screen Actors Guild Awards 45th Annual Life Achievement Award
James Earl Jones



Posted on 1/26/2009 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

Melhores e Piores Filmes de 2008


De alguns anos pra cá se tornou indispensável participar das já clássicas listas de final de ano do site http://www.cinerevista.com.br/, do amigo e colega de Intercine e, esporadicamente, de cabines, Adriano Oliveira.


É um momento em que os participantes podem reciclar toda a safra do ano, relendo seus artigos ou assistindo aos filmes que faltam a partir das listas que o próprio Adriano compila com os lançamentos dos últimos doze meses no Brasil. Este ritual acontece pontualmente no virar de cada temporada.


O mais interessante das listas é a diversidade de opiniões e tendências a gostos distintos de um crítico para outro, tendo em vista que este é um momento em que se expressa totalmente o gosto pessoal do comunicador e não são tão levados em conta os critérios da diversidade de públicos que a mídia geralmente impõe e que é comum nos artigos diários de todo produtor de conteúdo.


Segue então as listas deste que vos escreve. Melhores e Piores de 2008. Para ler as justificativas, clique no logo do CineRevista abaixo de cada lista.





MELHORES FILMES DE 2008
em ordem decrescente de preferência, ou seja, começando pelos mais preferidos


- Cloverfield Monstro


- Batman - O Cavaleiro das Trevas


- O Nevoeiro


- O Orfanato


- Rec


- Fim dos Tempos


- Speed Racer


- O Escafandro e a Borboleta


- Meu Nome Não É Johnny


- No Vale das Sombras


- Rambo IV


- Juno


- Antes de Partir


- Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada


- The Rolling Stones - Shine a Light

justificativas em
:



PIORES FILMES DE 2008
em ordem alfabética



- 10.000 A.C.


- Awake - A Vida por um Fio


- Espartalhões


- Eu Sou a Lenda


- Imagens do Além


- Jogos Mortais V


- Ainda Orangotangos


- Jumper


- Mutum


- Ponto de Vista


justificativas em
Posted on 1/12/2009 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

4ª Mostra Unisinos de Cinema - Debate entre Mário Pertile e Patrick Buzzacaro






Trechos do debate entre Mário Pertile e Patrick Buzzacaro no dia 18.11.2008, no Cine Santander Cultural.

Filmes comentados:
- E no Sétimo Dia
- Amélia
- Tudo que Não é Espelho
- A Última Folha do Outono

Posted on 12/19/2008 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

Pré-Estréia de Madagascar 2 em Poa


Eu e Patrick Buzzacaro apresentando o filme Madagascar 2 em sessão VIP do Cena de Cinema. Sala cheia, criançada se divertindo... Fotos tiradas pelo Qual é a Boa (www.queb.com.br) .




O filme é ácido e divertidíssimo, estourando com a trilha clássica já de cara: “Eu me remexo muito! Eu me remexo muito! Muito!” (sim, a cópia era dublada, em função das crianças, mas não é nada mal não, mantendo a voz de Heloísa Perissé e apresentando Sérgio Lorosa fazendo a voz de MotoMoto).

A exemplo de franquias como Shrek, do gênero "faz de conta que é pra criança", a segunda parte manteve a qualidade de pauta e ampliou as possibilidades gráficas, como luz, sombra e efeitos. E o melhor: sem precisar entupir de novos personagens. Pelo contrário, a ousada matiné manteve o foco no passado dos personagens principais e em suas personalidades reais, colocando-os para interagir com outros de suas espécies em seu habitat natural.

O filme é violento. Mas nada que uma criança não tenha visto no Discovery ou no NatGeo (com exceção de um leão espancando uma velha e vice-versa... talvez até por isso seja a cena mais hilária da película). Violento com parcimônia, assim como a sutil personalidade do homo sapiens, ou sua natureza. Diversão de qualidade. (Mário Pertile)
Posted on 12/10/2008 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

A Magia e a Emoção da 7ª Arte

A cada dia que passa eu amo mais o cinema. Não pelos motivos óbvios da arte, da emoção e do entretenimento. Mas pela capacidade que o mesmo tem de unir pessoas através da opinião. Há algum (pouco mas produtivo) tempo, fiz um grande amigo, Mau Saldanha, através da indicação de outro amigo, para a participação como convidado no RapaduraCast (podcast do Cinema com Rapadura, a conferir no player abaixo) onde participaram o editor do site e Maurício.





A partir daí, trocamos seguidamente muitas idéias sobre cinema e é claro sobre uma paixão em comum, um dos assuntos deste blog, o seriado LOST.

Dada esta breve introdução ao post, vamos ao real motivo dele, falar sore a magia e a emoção da 7ª arte. Maurício possui um veículo em seu blog, o Cabine Celular, onde, como o próprio nome sugere, após sair de uma cabine de imprensa, grava com seu faz-tudo móvel a impressão instantânea sobre a obra. E este veículo tem feito bastante sucesso na web, pelo seu formato e por tratar o cinema sem o virtuosismo comum da crítica especializada. É realmente a opinião de cinéfilo para cinéfilo.

Em uma edição recente do Cabine, foi explícita a expressão da magia do cinema, do poder que ele tem de unir pessoas que possivelente não seriam unidas aos acaso. Juntam-se ao cinema as possibilidades da era digital. Pronto, está feita a convergência da informação, da amizade e da paixão em comum.

Sem delongas, um leitor/web-espectador do Maurício baixou a edição do Cabine Celular sobre o filme Era uma Vez, de Breno Silveira, sideloadeou para seu celular e, em uma sessão de pré-estréia com a presença do diretor, apresentou o Cabine Celular, com direto a fones de ouvido e tudo, como deve ser assistida esta mídia. E o fez se emocionar. A imagem fala por si só. Segue então abaixo a versão original desta edição do Cabine, seguido do momento em que Breno assiste a video-crítica com a voz embargada e lágrimas nos olhos, dando seu FeedBack para o Maurício. Isso é a internet. Isso é a era digital. Isso é o cinema. E isso são boas idéias dando resultado. E tem gente que diz que é perda de tempo ou coisa de vagabundo. Vai entender....Abraço Maurício!


CABINE CELULAR



Breno Silveira assistindo ao Cabine Celular




Posted on 11/28/2008 by Mário Pertile and filed under , , | 0 Comments »

O Terror e os Animais de Santa Catarina

Para justificar este post, já que o blog se dispõe a falar de cinema e/ou propaganda, devo mencionar que logo logo alguém conseguirá verba para produzir um filme sobre o desespero causado pelo caos gerado em razão das revoltas climáticas em Santa Catarina. Vai ser um filmaço catástrofe de tirar o fôlego. Gostaria que fosse produzido por J.J. Abrams e dirigido por Drew Goddard, em razão dos inúmeros vídeos amadores sobre deslizamento de terra, desabamento de casas, inundação de ruas, saques a estabelecimentos comerciais, carros levados pela correnteza, pessoas ilhadas em suas próprias terras, helicópteros de resgate pra lá e pra cá, postados no Youtube. Imagina, Santa Catarina sendo devastada no maior estilão Cloverfield...Blockbuster mundial certo.

Dito isto, serei curto e grosso: Pessoas que não honram a amizade oferecida pelo seu animal de estimação merecem morrer afogadas e soterradas. Bem devagar...

Podem me chamar de fascista, desumano, incoerente, radical e o caralho, mas não pude deixar de ficar indignado com uma gravação veiculada em looping contínuo e apelativo pela BAND, no dia 25 de Novembro de 2008, por volta das 17:00 horas, onde um helicóptero da FAB digno de cinema, daqueles que comportam a vizinhança de uma rua inteira, com soldados camuflados e tudo, para nenhum Oliver Stone botar defeito, resgata uma família ilhada.

A cena que tem tudo para ser emocionante no melhor sentido da expressão desde seu início (não fosse a narração sensacionalista do Datena) tem um final decepcionante, deprimente, que me faz perder toda a pontinha de esperança que (ainda) me restava pela raça humana. Explico:

Tudo muito heróico. A família que há 4 dias estava isolada por terra, sem água, luz nem comida, abanando lá de baixo enquanto o helicóptero se preparava para aterrissar, era uma imagem de tirar o fôlego. Dava até para ouvir mentalmente a trilha sonora da cantata cênica Carmina Burana, de Carl Orff. Realmente empolgante ver o exército entrando em ação em um país onde felizmente não existe guerra (???), para salvar pessoas em risco de vida. Tudo na mais perfeita sincronia.

Militares descem correndo e começam a trazer os membros da família que um a um passam a ocupar seus lugares no trambolho voador de duas hélices. Os bravos soldados do exército traziam a tiazinha de uns 70 e poucos anos, fraca pela privação de alimento, no colo, naquela posição de cadeirinha, um de cada lado, quando de repente aparecem os cachorros da família, visivelmente felizes pelo regate. Os cachorros passavam a nítida imagem de, da forma deles, estarem colaborando com o resgate. Acompanhavam membro por membro da família até o helicóptero e, após um fulano estar em segurança no passarão de ferro, voltavam para casa para acompanhar mais um dos donos. Eu, na minha vã inocência formada por Roberto Gomes Bolaños, acreditando no sentimento humano, esperava obviamente que os mesmos fossem resgatados. Quando, para minha surpresa, o renomado jornalista citado fala diante da câmera, de dentro do helicóptero:

"Olha os cachorros acompanhando o resgate, infelizmente não serão resgatados porque podem ocupar o lugar de uma criança."

PULTA Q'OS PARIU! Olha o tamanho daquela bagaça! Dava pra jogar uma partida de futebol de salão lá dentro....

Me pergunto: Quantos lugares de crianças os 120kg do Datena, mais um equipamento televisivo e ainda um cinegrafista podem ocupar???

Os coitados dos cachorros estavam aflitos com toda movimentação, assistindo aos seus donos sumirem no helicóptero um a um, e mesmo assim voltavam e acompanhavam o trabalho do exército.

O que mais me irrita não é o sensacionalismo abusivo de um jornalista que não tem nenhum outro motivo para estar presente no ocorrido, sendo que o mesmo estava no estúdio apresentando as imagens, narrando os fatos em cima da sua própria narração gravada, a não ser aparecer.

Me enoja mais ainda o fato de, em momento algum, NENHUM daqueles moradores esboçar um mínimo de preocupação para com seus animais, sequer dirigiram um olhar de pena, aflição ou culpa aos quadrúpedes. Simplesmente correram no melhor estilo salve-se quem puder, sebo nas canelas, pernas pra que te quero, cada um por si e Deus por todos.

O amor de um animal é o único amor incondicional que existe, em se tratando de cachorro especificamente. Ele não espera nada em troca. Nem comida. Nem água, nem nada. Vide cachorros de moradores de rua que, em troca e carinho (ou muitas vezes uns bons pontapés, facadas e olhos furados) são inseparáveis, independente da ocasião.

Quem não tem uma relação muito estreita com os animais e por ventura possa estar lendo este post deve estar pensando "Porra Mário, vai pro diabo! A situação estava crítica, ninguém tinha condições de pensar em um animal.." Ok, pensa assim....porque a única coisa que eu consigo pensar neste exato momento é que agora são 03:45 de manhã e fazem 4 dias, 18 hora e 15 minutos que os cachorros estão com fome, com sede e com saudade dos seus donos. E não consigo dormir.
Posted on 11/25/2008 by Mário Pertile and filed under , , | 4 Comments »

O Labirinto do Fauno

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (02.12.2006)

Crítica do Filme “O Labirinto de Fauno” (Guillermo del Toro).

Era uma vez...
Com um clima de fábula semelhante a mais recente produção de M. Night Shyamalan, A Dama na Água, Guillermo del Toro comanda O Labirinto do Fauno. O filme conta a história de Ofélia (Ivana Baquero), enteada de um militar fascista que atua nas regiões montanhosas ao norte de Navarra, onde se encontra um foco de rebeldes inconformados com o final da guerra civil. Recém chegada junto com sua mãe Carmen (Ariadna Gil), Ofélia descobre uma grande amizade em Mercedes (Maribel Verdú), chefe das cozinheiras do alojamento que lhe explica sobre o labirinto rochoso abandonado existente no amplo pátio. Tendo que conviver entre o sofrimento da gravidez problemática de sua mãe e as crueldades exercidas por seu padrasto, este interessado apenas no filho que está se formando no ventre da esposa, Ofélia encontra refúgio nos segredos escondidos pelo labirinto, descobrindo que é nada menos que uma espécie de reencarnação da princesa de um universo paralelo ao nosso.

Agora Ofélia, guiada pelo Fauno guardião do labirinto e suas fadas, deve completar três missões para comprovar que ainda mantém a essência pura de princesa e poder retornar ao seu reino.

Juízo Final
Com produção surpreendente, levando-se em conta o baixíssimo orçamento (em torno de cinco milhões de dólares), O Labirinto do Fauno tenta expor por trás da fábula a idéia de que o juízo final, tanto esperado por religiosos que crêem no julgamento pós-morte, na verdade se dá em vida, em nossos atos, em nosso dia a dia, pondo em cheque nossa real essência.

Configurando um conto de fadas para adultos, O Labirinto do Fauno deixa de lado o suspense figurado por A Dama na Água e parte para cenas violentas e bem dirigidas, com destaque para a cena em que o padrasto de Ofélia desfigura o rosto de um homem na frente do pai no melhor estilo de Irreversível (de Gaspar Noé), na cena em que um homem tem o rosto desfigurado por um extintor de incêndio.

O ponto forte de O Labirinto do Fauno está na concepção e caracterização dos monstros. O Fauno é uma espécie de minotauro azul e envelhecido pelo tempo, com caráter não bem especificado. Ora parece confiável, ora parece o ser de caráter mais duvidoso da face da terra; O fato é que ele convence Ofélia a completar as missões perigosíssimas a fim de comprovar sua excelência.

Uma das missões envolve pegar uma adaga em um cofre vigiado pelo Homem Pálido, um monstro alto e enrugado, com os olhos nas palmas das mãos, que passa o tempo todo dormindo sentado à mesa de jantar, a não ser que alguém não consiga resistir à tentação de comer algo de seu banquete. Isso o faz acordar furioso destruindo tudo o que vê pela frente até conseguir capturar o ladrão de suas guloseimas.

O que O Labirinto do Fauno tem de forte na construção dos monstros e do roteiro, perde na interação CG com personagens reais. Na cena em que Ofélia tem que enfrentar o sapo gigante no subsolo de uma árvore velha nota-se nitidamente o cromaqui utilizado, deixando a língua do sapo, quando encosta ao braço de Ofélia, como uma segunda camada sobre a película.
Com mais pontos fortes que fracos, O Labirinto do Fauno como fábula de terror é uma boa opção para descontrair, com uma boa lição de moral que nos remete a agir pelo bem, pois o juízo final se dá durante a vida e sempre deixamos rastros de nossos feitos. Para acompanhar a ótima trilha incidental, entrando sempre na hora certa, um desfecho imprevisível encerra o épico de Ofélia em busca de seus ideais.
Mário Pertile
Posted on 4/11/2008 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

O Maior Amor do Mundo

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (06.09.2006)

Crítica do filme “O Maior Amor do Mundo” (Cacá Diegues).

Bill Murray Canarinho
O décimo sexto longa de Cacá Diegues, quarto que escreve sozinho, segundo o próprio foi mais difícil de filmar do que sua obra anterior “Deus é Brasileiro”, onde Deus (Antônio Fagundes) percorre várias cidades brasileiras. Apesar de a história de O Maior Amor do Mundo se desenrolar em uma única favela, foi necessário filmar em três bairros diferentes (distantes da base onde estavam instalados) somando-os para concluir a favela fílmica. Para a escolha das locações, o próprio Cacá, portando uma Mini-DV visitou as favelas e filmou tudo que podia aproveitar, reunindo várias horas de material para ser mostrado aos diretores de arte e produção. Este procedimento colaborou com a fidelidade em que a favela “fictícia” é apresentada na tela.


Uma locação chama a atenção em especial: um rio, ou melhor, valão, que tem suas margens cobertas de lixo, onde supostamente Antônio nasceu, segundo Cacá, foi uma das mais difíceis de encontrar. Descoberto ao acaso, o valão encontra-se na periferia da favela e é de difícil acesso. Valeu à pena a descoberta, pois o riacho poluído que contorna os casebres abriga as melhores e mais significativas cenas do longa.

O personagem de José Wilker, Antônio, curiosamente teve origem em um personagem de Deus é Brasileiro, um homem com câncer, que quase não aparece. Cacá Diegues sentiu então a necessidade de desenvolver aquele personagem, personificando um Antônio astrofísico, reconhecido mundialmente e que desde jovem mora nos Estados Unidos, que acredita poder controlar o mundo (o seu e de todos os seres) através da razão, das estrelas, das teorias da física, como se estivesse sempre olhando para o alto, esquecendo seu real universo, o planeta terra e seus problemas cotidianos. Ao entrar em contato com a pobreza e a realidade das grandes favelas cariocas, Antônio tem atitudes que demonstram sua distância deste mundo, como passar creme nas mãos após andar de motocicleta e exigir água mineral na casa de uma mãe de santo pobre. Audácia, arrogância e uma bomba atômica de sentimentos auto-reprimidos prestes a explodir. Assim pode-se resumir a personalidade de Antônio. José Wilker consegue transmitir muito bem estes sentimentos, lembrando a atual fase catatônica de Bill Murray em Flores Partidas (Broken Flowers - 2005 - Jim Jarmusch). O roteiro também leva a uma tênue semelhança, ao analisarmos que em Flores Partidas o personagem de Bill Murray encabeça uma jornada ao passado para conhecer um filho que até então não sabia da existência.

No início do “percurso”, Antônio conhece Mosca (Sérgio Malheiros), Neto da Mãe Santinha (Léa Garcia). Mosca trabalha como “aviãozinho” entregando drogas para os traficantes do morro e serve como uma espécie de guia para Antônio em sua jornada pela realidade. Em cinco dias, Antônio aprende com Mosca muito mais que em todos os seus anos como astrofísico.

Um filme bem cuidado em todos os aspectos. Uma película de cunho emocional, realista, e com um bom toque de espiritualidade.

Mário Pertile
Posted on 4/11/2008 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

O Buda

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (01.09.2006)

Crítica do filme “O Buda” (Diego Rafecas).

O longa de estréia do argentino Diego Rafecas possui um roteiro no mínimo interessante. Tomás (o ator estreante Agustín Markert), um jovem Office Boy criado pela avó após o rapto de seus pais por militares durante a ditadura Argentina, foi educado por seu pai dentro dos ensinamentos budistas, nos poucos anos em que viveram juntos. Adulto, Tomás se sente pressionado pela a correria típica da cidade grande, o que gera um avassalador conflito interno, fazendo-o buscar na cultura a ele repassada por seu pai as respostas para os mistérios da vida. Começa então um processo de isolamento do mundo exterior, atingindo a namorada (Carolina Fal), atriz, que lhe causa uma grande decepção amorosa e também o irmão (o próprio Diego Rafecas), um cético e antipático professor de história. Após conhecer uma praticante budista enquanto meditava em uma boate temática, Tomás decide retirar-se em um templo com sua namorada, abdicando de todos seus pertences e prazeres terrenos (inclusive o sexo).

Para sua surpresa o mestre do templo, que o chamara várias vezes por intermédio de sonhos, resolve cobrar sua estadia. Indignado, porém conformado, começa a trabalhar em um restaurante local enquanto sua namorada trabalha no templo. Durante a estadia eles recebem a visita de seus familiares, fato que gera cenas irônicas e que valem o filme.

Diego Rafecas foi ordenado monge budista em 1995. Em O Buda notamos claramente a tentativa da realização de um projeto significantemente autoral, incorporando suas próprias filosofias e indagações na película. Suas críticas também estão lá. Críticas à sociedade, à forma como diferentes personalidades tratam a religião, o fanatismo que cega as pessoas e as faz afastar-se do mundo, inclusive criticando aspectos do próprio budismo.

Apesar de um ótimo roteiro, o filme demora um pouco a se desenrolar, talvez pela falta de experiência de Rafecas em longas metragens. Acostumado com a produção de curtas, acabou criando uma reunião de fatos interessantes, dentre eles fatos cômicos, filosóficos e dramáticos, em um material de cento e quinze minutos, porém com um elo difícil e criando em certos momentos uma maçante sensação de marasmo.

Os destaques ficam para a direção de arte de Cristina Nigro e para a excelente construção dos personagens, com personalidades bem definidas e bem representadas pelos atores, resultando em diálogos que fluem naturalmente.

O Buda é um filme com um ótimo roteiro, ótimas atuações e plasticamente bem feito, carecendo apenas de uma ligação sólida e bem desenvolvida entre as situações apresentadas. Um recado para quem se chatear e pensar em sair da sala no meio da seção: O final vale os cento e quinze minutos.
Mário Pertile
Posted on 4/11/2008 by Mário Pertile and filed under , | 0 Comments »

O Pequenino

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br.com.br (26.09.2006)

Crítica do filme “O Pequenino

Maquiagens, Efeitos e Afins.
Os irmãos Wayans estão de volta com suas piadas escrachadas e escatológicas, mas, dessa vez, com um grande auxílio para conseguir sustentar o humor: Inúmeras idéias mirabolantes e horas de trabalho convertidas em efeitos visuais. Em AS BRANQUELAS os Wayans tiveram que apelar para as maquiagens para garantir um atrativo, algo que chamasse atenção. Funcionou, pois todos queriam assistir como dois legítimos afro-americanos de caráter duvidoso se apresentariam disfarçados de duas patricinhas albinas e milionárias. Agora a bola da vez é o efeito visual, que chama atenção e leva o filme nas costas. É chegada à hora de refletir sobre a real intenção dos irmãos Wayans, e por que não dizer do talento como criadores de argumentos, já que depois de Todo Mundo em Pânico 1 e 2, onde eram engraçados por si só e pela divertida levada de paródia, suas obras conseguintes usam e abusam de elementos externos à essência do filme para sustentar argumentos que sem esses artifícios seriam insustentáveis em seu estilo de humor.

Black-Baby-Faced Finster
Houve um tempo em que comédias pastelão ricas em exageros e escatologias eram sinônimo de sessão de gargalhadas. O que vemos atualmente é uma reunião de piadas fracas, incessantemente utilizadas em filmes anteriores. O PEQUENINO não seria diferente sem o auxílio dos ótimos efeitos especiais que conseguiram reduzir Marlon Wayans (o engraçado e feioso maconheiro e descompromissado de Todo Mundo em Pânico), de um metro e oitenta e oito centímetros em um anão de setenta e seis centímetros de altura. As cenas em que Calvin (Marlon Wayans) aparece foram filmadas duas vezes. A primeira era filmada normalmente com figurantes, cenário, e o dublê de corpo. A segunda tomada da mesma cena era feita só com a cabeça de Marlon sobre o fundo azul. Aplicada uma na outra, conclui-se Calvin, um temido e casca grossa bandido anão que acaba de sair da prisão e junto com seu comparsa Percy (Tracy Morgan - O Império do Besteirol Contra-Ataca (Jay and Silent Bob Strike Back)) está atrás de um diamante muito valioso. O que segundo os produtores era para ser uma homenagem ao Baby-Faced Finster, personagem vilão do desenho animado Pernalonga que é anão e acaba passando-se por bebê para conseguir driblar a polícia, acabou virando uma adaptação afro-americana fraca e sem muito argumento de Finster. Dá a impressão de estarmos assistindo uma daquelas adaptações de desenho para filme que passam na Sessão da Tarde.

Os pontos positivos são as caras e bocas de Marlon e as cenas sexistas que acabam se tornando engraçadas pela aflição e cara de pau de Calvin de querer sempre tirar um proveito libidinoso das situações como quando finge estar com fome para ganhar mamá ou quando a suposta mãe adotiva (Kerry Washington) faz cócegas no corpo de Calvin e ele tenta forçar um sexo oral.

Curiosamente as cenas realmente mais engraçadas não contam com a presença do bebezão e sim do seu pai adotivo, interpretado por Shawn Wayans, como na perseguição de carro e o anúncio da promoção da esposa executiva no restaurante.

A película não é de toda descartável, mas passa longe de ser uma opção para alegrar o final de semana.
Mário Pertile
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Minha Super Ex-Namorada

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (01.09.2006)

Crítica do filme “Minha Super Ex Namorada” (Ivan Reitman).

Super-Pipoca!
Imagine o Super-Homem namorando a Louis Lane. Agora imagine a Louis Lane terminando com o super homem, passando a namorar um colega de trabalho. Inverta os papéis, acrescente a Uma Thurman (Kill Bill I e II) no lugar do Super Homem e não esqueça de uma grande pitada de neurose feminina. Assim pode-se resumir Minha Super Ex-Namorada, o novo trabalho de Ivan Reitman (Os Caça - Fantasmas).

Matt Sunders (Luke Wilson – Alex & Emma, 2003, Rob Reiner) é um tímido arquiteto que há seis meses conseguiu se livrar de uma namorada louca e paranóica. Após muita insistência do amigo Vaughn Haige (Rainn Wilson – Full Frontal, 2002, Steven Soderbergh), aposta uma investida em Jhenny Johnson, aparentemente uma moça simples, tímida e culta. O que ele não esperava é que ela fosse uma super heroína paranóica e vingativa.

Quando a relação começa a ficar difícil em razão da presença de sua colega de trabalho Hanna Lewis (Anna Faris, a Cindy Campbel da série Todo Mundo Em Pânico), a Super-Grudenta Jenny não aceita a sepração partindo para a agressão física e utilizando seus super-poderes para infernizar a vida de seu ex.

Os efeitos especiais são bem produzidos, apesar de se tornarem repetitivos na segunda metade da película. A trilha sonora ajuda a embalar o enredo e tem uma sincronia agradável com a ação.

O Elenco
Luke Wilson, com experiência no Saturday Night Live, possui um humor natural, não precisando abrir muito a boca para tornar-se engraçado. Seu personagem bem sucedido profissionalmente/fracassado sentimentalmente é hilário por si só, assim como o personagem canastrão de Rainn Wilson. Uma Thurman, sempre bela, como heroína não convence muito, mas recupera os créditos como a xarope Jenny Johnson. Lembra muito sua cara vingativa como a noiva de Kill Bill. Anna Faris faz o papel de queridinha meio inocente, meio esperta, meio a fim de roubar a namorada da outra. Faz aquele tipo de atuação morna de Todo Mundo em Pânico sem deslanchar muito.

Com um bom desfecho, mais ou menos imprevisível, Minha Super Ex-Namorada é um filme que se utiliza dos exageros para ilustrar com um humor sincero e despretensioso desavenças corriqueiras de qualquer casal em qualquer parte do mundo. Boa Pipoca!
Mário Pertile
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Wood e Stock - Sexo, Orégano...

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (10.10.2006)

Crítica do filme “Wood e Stock - Sexo, Orégano e Rock'n Roll

...ENFIM, O ORÉGANO.
Pairou no ar canarinho um aroma de orégano, às vezes mais forte, às vezes mais fraco, durante mais ou menos uma década. Agora finalmente está estreando nos cinemas, após um árduo trabalho (braçal, burocrático e criativo) a animação mais esperada pelos fãs de Angeli e o público underground em geral. Wood e Stock – sexo, orégano e rock´n roll é literalmente uma viagem ao submundo dos personagens de Angeli. Oriundos de universos totalmente diferentes, figuras que cativam pela tosquice e conteúdo em seus discursos libertários agora contracenam em um longa cheio de humor simples e escrachado, sem frescuras, nem censuras. Para complementar o mundo lisérgico idealizado e dirigido por Otto Guerra para dar vida à quebra de tabus cínicos e dissimulados, o longa conta com as atuações de Rita Lee (Rê Bordosa), Zé Victor Castiel (Wood), Sepé Tiaraju (Stock), Janaína Kremer (Lady Jane) e Tom Zé (Profeta Raulzito) interpretando os personagens principais.

A VIAGEM
A trama inicia em uma típica festa de reveillon hippie da década de setenta, apresentando em movimento os personagens originais de Angeli. Mais além, estamos no tempo presente, Wood casado com Lady Jane, uma espécie de mística-cartomante-terapeuta-alternativa que resolve dar um basta na vida mundana e parte em um retiro espiritual com o mestre Rhalah Rikota, que de espiritual não tem nada. Stock perde o pai e perde o chão, indo parar na casa do amigo de décadas e ex-companheiro de banda Wood. Enquanto Lady Jane experimenta as peripécias sexuais do templo de Rhala Rikota, que prega os ensinamentos do livro sagrado do Kamasutra, Wood e Stock, sem dinheiro, sem trabalho e sem querer se vender ao sistema, entre um baseado de orégano e outro, têm a brilhante idéia de reviver a banda. Com a idéia fixa na cabeça depois de receber uma mensagem do Profeta Raulzito, Wood e Stock saem em busca dos ex-integrantes. Com o vocalista falecido, a solução é convidar Sunshine, um porco (porco mesmo) meio poser, meio punk, para dar conta do recado. O resultado é uma banda hippie-punk-hajenish psicodélica. O destaque fica para as aparições da Rê Bordosa, que ressurgida das cinzas, é vizinha de Wood. Durona e difícil de agradar, a musa sexista é um show a parte. Sempre de ressaca, sempre fumando, sempre de mau humor e desacreditada da vida, sempre que aparece faz o público rir em sua história paralela que acaba cruzando a vida de Stock, proporcionando-lhe uma grande noite de sexo, orégano e rock´n roll. Outros personagens de Angeli estão presentes como os Skrotinhos, júri do festival de rock, Bob Cuspe em aparições relâmpago como figurante, Nanico e Meiaoito como produtores musicais entre outros.

Com traços mais limpos que o original, Wood e Stock – sexo, orégano e rock´n roll exigiu que fossem executados em torno de quarenta mil desenhos entre layout, cenários e animações e é a primeira animação brasileira a receber do Ministério da Justiça a classificação indicativa “Inadequado para menores de dezoito anos”, que depois foi reduzida para dezesseis anos.

PARCERIA DE AFINIDADES...
O resultado dessa mescla de atitude setentista com o marasmo causado aos nossos protagonistas por conseqüência do tempo que impreterivelmente passa, fazendo-os adaptar-se aos dias de globalização, é uma viagem lisérgica fiel de oitenta e um minutos onde não importa o ponto de chegada e sim o trajeto. Trocando em miúdos, uma parceria entre um consagrado cartunista revolucionário, subversivo e sem pudor e o que seria segundo a bíblia internacional da Taschen sobre animação ANIMATION NOW: “O papa underground da animação brasileira”, não poderia resultar em algo melhor, nem pior. Esta é a melhor fórmula.
Wood e Stock – sexo orégano e rock´n roll não enrola, é para respirar bem fundo, prender e soltar a gargalhada.
Mário Pertile
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Dois é Bom, Três é Demais

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (14.09.2006)

Crítica do filme “Dois é Bom, Três é Demais

Breve Análise
Após o fraco, sem sal, nem açúcar Separados pelo Casamento (The Break-Up, 2006, Peyton Reed), parecia que haviam se esgotado as possibilidades de acharmos graça dos dramas matrimoniais modernos ainda este ano. Eis que surge Dois é Bom, Três é Demais (You, Me and Dupree, dirigido pelos irmãos Russo), uma comédia romântica com um argumento nem tão original, mas com uma boa execução, conseguindo retratar alguns dos inúmeros dramas originados na relação custo/benefício pessoal dentro de uma recém estipulada relação conjugal. Dois é Bom, Três é Demais reúne vários pontos-chave que geram os acordos implícitos dentro de um relacionamento. E o interessante é que o filme molda uma linha de tempo muito próxima da realidade, expondo esses acontecimentos sem exageros, nem melodramas. Apenas os problemas enfrentados pelo casal, de forma convincente e demonstrando uma química muito agradável entre os protagonistas, a queridinha e talentosa Kate Hudson (A Chave Mestra) e o cara fechada Matt Dillon (Crash), que arrisca algumas expressões simpáticas e se sai muito bem.
Falando em exageros, não fossem os exageros convencionais de uma comédia romântica, como o amigo TOTALMENTE vagabundo, um sogro MUITO rançoso e dissimulado, entre outros, necessários para arrancar alguns sorrisos da platéia, Dois é Bom, Três é Demais passaria mais por um filme sobre o cotidiano, um quase drama com uma pitada de humor obscuro sobre problemas corriqueiros de um casal em pleno período de geração de acordos e medição dos níveis de tolerância.

Resumindo...
Dupree perde o emprego após ter faltado para poder estar presente no casamento do melhor amigo, Carl (Matt Dillon). Com remorso, Carl oferece estadia, por alguns dias, até Dupree se estabilizar. O “Alguns Dias” vira lenda e Dupree acaba se assentando na vida do casal de forma espaçosa e desagradável. Esta situação acaba gerando conflitos entre Carl e sua esposa, Molly (Kate Hudson). Além deste problema, Carl ainda tem que enfrentar seu chefe (Michael Douglas, conseguindo irritar mais o espectador do que o próprio Carl em uma ótima atuação irônica, dissimulada e vingativa) que casualmente é pai de sua esposa e que passou a odiá-lo após o casamento.

Então...
Dois é Bom, Três é Demais obtem com sucesso o que tentou o “Separados pelo Casamento”. A sensação de uma comédia romântica dirigida com comprometimento e experiência no que se propõe a contar. O espectador se irrita e ri com o casal. As situações apresentadas são comuns, ocasionando uma intimidade muito agradável com o enredo. É difícil que alguém não tenha passado por pelo menos uma das situações apresentadas (amigo em casa, crise com sogro, ciúme, brigas entre amigos, entre outras). O filme também fala de amor, confiança, amizade e principalmente tolerância. Enfim, uma comédia boa para curtir a intrigante e anormal simpatia de Matt Dillon e a beleza inibida de Kate Hudson em suas peripécias em busca de um final menos pior que o início de seu pacto nupcial. Ponto para os irmãos Russo.
Mário Pertile
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Napoleon Dynamite

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (20.11.2006)

Crítica do Filme “Napoleon Dynamite” (Jared Hess).

Um Mundo a Parte
O universo nerd norte americano, no melhor sentido da expressão, é retratado de forma sincera e com uma boa pitada de humor obscuro neste longa de encher os olhos dirigido por Jared Hess, o mesmo de Nacho Libre. Produzido pela Mtv filmes em parceria com a Fox, Napoleon Dynamite expõe de forma simples e cotidiana a vida de Napoleon Dynamite (Jon Heder, dublador do seriado Robot Chicken e do longa de animação “A Casa Monstro”), um jovem sem habilidades aparentes, a não ser a sinceridade e seu hobby de desenhar animais mesclados, como o “Liger”, uma mistura de leão com tigre de poderes mágicos. É seguidamente acossado por seus colegas jogadores, principalmente por Don (Trevor Snarr), sendo motivo de escárnio entre as líderes de torcida e garotas populares. Sem amigos e conformado com a situação, Napoleon vive em seu próprio mundo, interiorizando sua ira sem se manifestar. Mas as coisas estão prestes a mudar quando sua avó, uma espécie de senhora promíscua fã de esportes radicais, com quem divide a casa, se acidenta enquanto andava de quadriciclo no deserto, e pede para o tio Rico (Jon Gries, MIB – Homens de Preto) cuidar das “crianças”, que além de Napoleon, inclui o irmão Kip Dynimate (Aaron Ruell), de 32 anos, que mantém há anos o que julga de um relacionamento sério, apenas pela internet. Enquanto o tio Rico procura diversas formas de ganhar dinheiro vendendo produtos de origens duvidosas e aproveita o tempo vago para estragar ainda mais a vida do sobrinho, Napoleon por sua vez conhece Pedro Sanchez (Efren Ramirez, também dublador de Robot Chicken), um mexicano recém chegado nos Estados Unidos, por quem Napoleon cria uma consideração amistosa muito forte, mesmo sem trocar muitas palavras. Começa então uma saga de ambos para tentar conseguir um par para levar ao baile de formatura. Após o baile, Pedro se candidata a presidente dos alunos, sendo Napoleon seu braço direito. Juntos concorrem com a garota mais popular da escola e passam por muitos apertos e situações hilárias.

Um Clássico Atual
Napoleon Dynamite é uma película simples e de ótimo gosto que consegue transpor para a tela as angústias do universo Nerd, marginalizado pelo pop estudantil norte americano de uma forma leve, porém com uma contundência sentimental muito forte, mostrando a realidade com uma intimidade ímpar do centro à periferia do mundo geek excluído. Sem exageros, sem caricaturas. Uma tragicomédia singular com direção de arte sublime e marcante, abusando de cores primárias e paisagens campestres, o que lembra muito outro bom título “Hora de Voltar” (Garden State, de Zach Braff, 2004, EUA). Nada de excessos em cenários ou personalidades. Todos os objetos, cores, diálogos, personagens e ritmo de desenvolvimento do roteiro são como deveriam ser. O clima catatônico de nosso personagem principal e seus amigos lembra muito o personagem Don Johnston, de Bill Murray em Flores Partidas (Broken Flowers de Jim Jarmusch) e cria uma sensação contraditória com a utilização de cores vibrantes, o que gera o movimento necessário à falta de diálogos ou de ação em algumas cenas. Despretensão e respeito são as palavras-chave do filme. É o que cativa e faz com que Napoleon Dynamite seja um daqueles Dvds indispensáveis na videoteca pessoal para ver e rever, como referência, estudo ou diversão.
Mário Pertile
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O Grande Truque

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (06.11.2006)

Crítica do Filme “O Grande Truque” (The Prestige, Christopher Nolan).

Ambição sem Limites
Baseando-se na obra literária de Christopher Priest, “The Prestige”, Jonathan Nolan, roteirista e irmão do diretor Christopher Nolan (Amnésia e Batman Begins), levou 18 meses apenas para ver como conseguiria transformar o livro em roteiro. A idéia de Christopher Nolan era utilizar os três atos de um grande truque para construir um filme de suspense intrincado e surpreendente. O primeiro ato é chamado A Promessa: O mágico mostra alguma coisa comum, mas, naturalmente, provavelmente não é. O segundo ato é A Virada: O mágico transforma a coisa comum em algo extraordinário. Está faltando o Grande Truque. É a parte em que ocorre a mudança, em que as vidas ficam por um fio e você vê alguma coisa impressionante pela primeira vez na vida. É baseado nesses preceitos que Christopher Nolan consegue com maestria conduzir um roteiro difícil, mas bem estruturado, de forma que o espectador fique preso às armadilhas da história sem prestar a atenção no que realmente o engana, o trapaceia, como um mágico em um truque. Pensando desta forma, o filme se confunde com um truque e vice-versa, adquirindo a forma pretendida pelo diretor desde o início.
O Grande Truque não fala só de mágica. A magia é uma forma de camuflar o real argumento. A obsessão, a ambição acima da amizade e do amor. A vontade de ser mais e maior falando mais alto. O desejo de vingança. Para esta disputa foram escalados dois atores que recentemente deram um novo enfoque às adaptações de HQs de super heróis para o cinema: Hugh Jackman, o Wolverine na trilogia X-Man, representando o mágico ambicioso Robert Angier e Christian Bale, de Batman Begins, no papel do aparentemente inocente e apaixonado Alfred Borden. De heróis a anti-heróis, os dois atores disputam cada cena, cada segundo na tela, cada um no seu estilo, tanto de atuação quanto de personagens. O quadro de estrelas ainda conta com a colaboração de Michael Caine no papel do engenheiro Cutter, que inicia Borden e Angier no mundo da mágica, Scarlett Johansson como a assistente espiã Olívia e David Bowie, excelente como Nikola Tesla.
Inspirado por uma ficção inserida num contexto temporal real, Christofer Nolan utiliza-se de um tema pouco explorado atualmente no cinema como o glamour da mágica e da ilusão para falar de temas como concorrência, ambição, confiança, justiça e perseverança, mas não é só isso: O Grande Truque fala das reais conseqüências que uma disputa de poderes sem escrúpulos pode causar. O resultado é um suspense com ótimas atuações, surpresas, e uma ficção baseada em um tempo real onde a guerra pela eletricidade estava em sua melhor forma em uma clássica Londres da virada do século.

Mário Pertile
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Fonte da Vida

Originalmente publicado em http://www.cenadecinema.com.br/ (23.11.2006)

Crítica do Filme “Fonte da Vida” (Darren Aronofsky).

Espiritualidade e pirotecnia virtual
A trajetória de Darren Aronofsky como diretor nos proporciona sempre ótimos títulos de roteiros não lineares, com cenas de closes muito detalhistas e de gestos corriqueiros super valorizados como abrir e fechar portas, espiar no olho mágico ou ingestão de comprimidos. Estes elementos se tornaram marcas registradas em filmes como Pi (3, 14159265358, EUA, 1998) - produzido em preto e branco, em que um matemático esquizofrênico, ao mesmo tempo em que dedica sua vida a encontrar um padrão numérico que resolva o número Pi, é perseguido por investidores que o contrataram para descobrir um padrão presente na bolsa de valores – e Réquiem por um Sonho (Requiem for a Dream, EUA, 2000) - em que Aronofsky dá uma dinâmica agressiva e multifacetada ao universo do tráfico e consumo de drogas, passando pela alienação televisiva e uma contundente crítica sobre drogas lícitas.

Em Fonte da Vida, Aronofsky mostra seu lado mais maduro e espiritual, criando um épico sobre o sentido da vida, reunindo mitos e discutindo até que ponto é válida a total entrega pessoal por uma causa que salve o verdadeiro amor. Em pauta ficam as escolhas: aproveitar enquanto dura ou durar eternamente, sem ter aproveitado.

A solução para este tema tão abrangente foi a escalação do versátil Hugh Jackman (Wolverine da Trilogia X-man), que vem escolhendo cada vez melhor seus papéis, como no recente O Grande Truque. Jackman simplesmente incorpora os três personagens principais de A Fonte da Vida: Tomas, conquistador espanhol do século XVI que entrega corpo e alma para encontrar a árvore da vida, a fim de salvar sua rainha constantemente perseguida pela oposição. Tomy Creo, cientista dos dias atuais que luta incansavelmente efetuando experiências em animais com tumor com o intuito de descobrir a cura para a doença de sua amada, que piora a cada dia. Tomy sem querer, em uma das tentativas, ao invés de descobrir a cura do câncer, encontra uma substância obtida de uma árvore rara que rejuvenesce a cobaia. Um evento importantíssimo para a ciência como este não é digno de atenção para Tomy, que segue em busca da cura, deixando tudo e todos de lado, inclusive sua esposa moribunda (Rachel Weisz). A última versão é Tom, explorador do próximo milênio tentando entender os mistérios que o perseguiram por toda sua vida, que, diga-se de passagem, foi muito mais longa que a de um homem normal.

Não existe tempo nem espaço. Passado, presente e futuro excluem a linha imaginária erroneamente criada pelo homem e se confundem em um único ponto em torno do amor, da busca por respostas e pela ânsia da eternidade.

Com um ótimo argumento e um roteiro bem escrito, tirando algumas tentativas pretensiosas de surpreender o espectador que espera em vão por algumas respostas, Fonte da Vida contém algumas marcas registradas de Aronofsky supracitadas, como os tons em preto e branco e os closes que nessa ocasião são utilizados para comparar a pele humana com o invólucro da árvore.

Um filme cabeça com ótimos efeitos visuais, apelo estético sublime, como um bom Aronofsky deve ser, tem seu ápice em uma explosão de dourado com efeitos sonoros escolhidos a dedo durante a explosão de uma estrela que culmina na união do homem com seu eu interior. É para encher os olhos de belas imagens e a mente com infinitas indagações. Vale a pena.

Mário Pertile

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100 Escovadas Antes de Dormir

Originalmente publicado em www.cenadecinema.com.br (23.11.2006)

Crítica do Filme “100 escovadas antes de dormir” (Luca Guadagnino).

Nem um, nem outro.
Era para ser um filme chocante. Era para ser um filme surpreendente e porque não, excitante. Mas o fato é que 100 Escovadas antes de dormir, dirigido por Luca Guadagnino, não passa de uma pretensão de cem minutos onde o relógio parece ser um bravo inimigo do espectador. Falta roteiro e falta direção, o que torna a inocência de Melissa P. (título original do filme, provavelmente buscando uma pretensiosa alusão à Cristiane F.) uma irritante e infindável jornada ao rito de passagem de menina para mulher. Apesar de se basear num livro, uma película não precisa necessariamente se comportar como tal. Em 100 Escovadas antes de dormir, um dos pontos que mais colaboram com a falta de calor respectiva ao tema é a sensação de estarmos lendo um livro, algo fechado, estanque, sem altos nem baixos. Uma banheira de água morna que não transborda, nem esvazia. Isso se dá em certos momentos pela linha narrativa presente em demasia e na maioria das vezes desnecessária. Um filme que trata de um tema tão contundente e complexo que é o universo feminino e seu despertar de uma fase de inocência para uma época de descobertas merece um pouco mais de desprendimento por parte de seus realizadores. Deveria ter sido trabalhado um roteiro, uma história, não uma adaptação de confissões pura e simples, onde o resultado nada mais é do que um cine privé pobre e melodramático, comprometendo a inocência da menina e a maturidade sexual da mulher.

O drama familiar artificialmente retratado só é salvo pela belíssima atuação de Geraldine Chaplin (Blood Rayne, 2005, de Uwe Boll) que rouba a cena e o roteiro sempre que aparece, fazendo com que sua personagem Elvira, a avó amiga e sogra implicante e indesejada, seja o foco da família, da trama e também a gota d’água para um dos únicos momentos de emoção maior: finalmente o desenrolar de um roteiro bege e sem sal.

Cenas com o intuito de chocar, como a primeira experiência sexual de Melissa (Maria Valverde), pretendem passar uma lição de moral tentando justificar seu futuro comportamento promíscuo, mas na verdade suas atitudes que deveriam demonstrar desdém perante o sexo masculino, soando como uma espécie de vingança à raça que a fez sofrer no princípio de sua vida adulta, são expostas como uma forma de satisfação do prazer. O que deveria soar como “toma o troco” soa como “olha como eu sou experiente”. Ao invés de representar as atitudes de uma menina revoltada tentando recuperar sua auto-estima sexual, soa como uma provação de ego para a sociedade por parte de nossa protagonista. O orgulho da depravação se confunde com falta de compreensão da própria Melissa para com os rótulos nela impostos, constituindo uma personagem volátil de inocência cínica e dissimulada, cheia de lacunas a serem preenchidas.

Outro ponto artificial é a facilidade com que as pessoas conseguem encontrar e ler o diário de Melissa. Um diário tão secreto e confidencial com declarações tão quentes e comprometedoras deveria, no mínimo, ter um daqueles cadeadinhos de coração ou então ser guardado em lugares fora do acesso de colegas e parentes.

O desfecho final, onde tudo acaba bem, toda a depravação é esquecida e de uma hora para outra os laços de amizades rompidos são remendados é uma prova de que falta roteiro. Melissa de uma hora para outra vira uma moça feliz e de bem com vida. Sem seqüela nenhuma proveniente de seu passado promíscuo. Pelas vendas, o livro funcionou muito bem. Talvez na telinha a sensação de tempo perdido seja menor que no escuro.
Mário Pertile
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