5º Festival de Verão do RS de Cinema Internacional





INVERSÃO DE CONTEXTOS
Para analisar o filme como um todo, cabe aqui tratar Watchmen como uma obra cinematográfica em si e não apenas como uma adaptação da HQ de Alan Moore, pois o filme é auto-explicativo e não exige maiores conhecimentos do universo destes super-heróis peculiares.
Zack Snyder já provou em 300, também adaptação dos quadrinhos, que sabe lidar com a plasticidade necessária para converter uma cena parada em algo extremamente belo, independente da violência contida no quadro. Em Watchmen, terceiro filme do diretor que chega às telas brasileiras, as transposições de cenas fotográficas em ações seguem a mesma linha de 300, com muita câmera lenta e navegação digital pelo cenário. Até aí nenhuma surpresa, pois era esperado, ainda mais após os trailers, que estas técnicas seriam utilizadas.
Porém o mérito de Snyder é inserir esta fórmula de clima surreal criada em 300, onde um balé de vísceras enche os olhos como uma obra de arte das mais belas, em um mundo real, respeitando o curso da história, mantendo a veracidade de fatos conhecidos pela massa e inserindo os elementos relativos a história sem que isso torne o filme algo alienado ou sem sentido.
A introdução já pretende encantar o espectador situando-o no espaço e tempo (assunto muito abordado no desenrolar da trama), exibindo uma extensa série de cenas conhecidas por todos, mas pinceladas sob o ponto de vista do universo Watchmen, incluindo o atirador no caso Kennedy, Fidel Castro com centenas de ogivas nucleares, Andy Warhol e suas artes pop e é claro, o auge da guerra fria. Esta seqüencia realmente ficará na história do cinema, pois além de fazer um panorama sobre o período que compreende as décadas de 40 e 80, o faz com a maestria de um diretor que possui bom gosto nos mínimos detalhes.
Além de todo apelo estético, o filme possui muita ação, sendo este um de seus diferenciais para os filmes de heróis convencionais. Apesar de violentas ao extremo, as cenas de ação não mostram nada além do real, como por exemplo, uma bala atravessando a canela de uma mulher, partindo o osso como na vida real. A física da película impressiona até os mais exigentes.
Também tem romance e muitas discussões de relação (as famigeradas DR's) comuns à maioria dos casais. Se precisar, utilize este argumento para levar a namorada no cinema quando ela disser que não quer ver filme de super-heróis. É batata:)
Em tempos de trilogia, assistir um filme que possui uma duração em torno de 3 horas, com início, meio e fim é extremamente prazeroso. Watchmen consegue prender o espectador do início ao fim, intercalando ação, romance e história, com grandes pitadas de humor obscuro. Vale o ingresso. (Mário Pertile)
Assista ao trailer legendado (ALTA DEFINIÇÃO):
Trechos do debate entre Mário Pertile e Patrick Buzzacaro no dia 18.11.2008, no Cine Santander Cultural.
Filmes comentados:
- E no Sétimo Dia
- Amélia
- Tudo que Não é Espelho
- A Última Folha do Outono


O filme é ácido e divertidíssimo, estourando com a trilha clássica já de cara: “Eu me remexo muito! Eu me remexo muito! Muito!” (sim, a cópia era dublada, em função das crianças, mas não é nada mal não, mantendo a voz de Heloísa Perissé e apresentando Sérgio Lorosa fazendo a voz de MotoMoto).
A partir daí, trocamos seguidamente muitas idéias sobre cinema e é claro sobre uma paixão em comum, um dos assuntos deste blog, o seriado LOST.
Dada esta breve introdução ao post, vamos ao real motivo dele, falar sore a magia e a emoção da 7ª arte. Maurício possui um veículo em seu blog, o Cabine Celular, onde, como o próprio nome sugere, após sair de uma cabine de imprensa, grava com seu faz-tudo móvel a impressão instantânea sobre a obra. E este veículo tem feito bastante sucesso na web, pelo seu formato e por tratar o cinema sem o virtuosismo comum da crítica especializada. É realmente a opinião de cinéfilo para cinéfilo.
Em uma edição recente do Cabine, foi explícita a expressão da magia do cinema, do poder que ele tem de unir pessoas que possivelente não seriam unidas aos acaso. Juntam-se ao cinema as possibilidades da era digital. Pronto, está feita a convergência da informação, da amizade e da paixão em comum.
Sem delongas, um leitor/web-espectador do Maurício baixou a edição do Cabine Celular sobre o filme Era uma Vez, de Breno Silveira, sideloadeou para seu celular e, em uma sessão de pré-estréia com a presença do diretor, apresentou o Cabine Celular, com direto a fones de ouvido e tudo, como deve ser assistida esta mídia. E o fez se emocionar. A imagem fala por si só. Segue então abaixo a versão original desta edição do Cabine, seguido do momento em que Breno assiste a video-crítica com a voz embargada e lágrimas nos olhos, dando seu FeedBack para o Maurício. Isso é a internet. Isso é a era digital. Isso é o cinema. E isso são boas idéias dando resultado. E tem gente que diz que é perda de tempo ou coisa de vagabundo. Vai entender....Abraço Maurício!
CABINE CELULAR
Breno Silveira assistindo ao Cabine Celular
Originalmente publicado em http://www.cenadecinema.com.br/ (23.11.2006)
Crítica do Filme “Fonte da Vida” (Darren Aronofsky).
Espiritualidade e pirotecnia virtual
A trajetória de Darren Aronofsky como diretor nos proporciona sempre ótimos títulos de roteiros não lineares, com cenas de closes muito detalhistas e de gestos corriqueiros super valorizados como abrir e fechar portas, espiar no olho mágico ou ingestão de comprimidos. Estes elementos se tornaram marcas registradas em filmes como Pi (3, 14159265358, EUA, 1998) - produzido em preto e branco, em que um matemático esquizofrênico, ao mesmo tempo em que dedica sua vida a encontrar um padrão numérico que resolva o número Pi, é perseguido por investidores que o contrataram para descobrir um padrão presente na bolsa de valores – e Réquiem por um Sonho (Requiem for a Dream, EUA, 2000) - em que Aronofsky dá uma dinâmica agressiva e multifacetada ao universo do tráfico e consumo de drogas, passando pela alienação televisiva e uma contundente crítica sobre drogas lícitas.
Em Fonte da Vida, Aronofsky mostra seu lado mais maduro e espiritual, criando um épico sobre o sentido da vida, reunindo mitos e discutindo até que ponto é válida a total entrega pessoal por uma causa que salve o verdadeiro amor. Em pauta ficam as escolhas: aproveitar enquanto dura ou durar eternamente, sem ter aproveitado.
A solução para este tema tão abrangente foi a escalação do versátil Hugh Jackman (Wolverine da Trilogia X-man), que vem escolhendo cada vez melhor seus papéis, como no recente O Grande Truque. Jackman simplesmente incorpora os três personagens principais de A Fonte da Vida: Tomas, conquistador espanhol do século XVI que entrega corpo e alma para encontrar a árvore da vida, a fim de salvar sua rainha constantemente perseguida pela oposição. Tomy Creo, cientista dos dias atuais que luta incansavelmente efetuando experiências em animais com tumor com o intuito de descobrir a cura para a doença de sua amada, que piora a cada dia. Tomy sem querer, em uma das tentativas, ao invés de descobrir a cura do câncer, encontra uma substância obtida de uma árvore rara que rejuvenesce a cobaia. Um evento importantíssimo para a ciência como este não é digno de atenção para Tomy, que segue em busca da cura, deixando tudo e todos de lado, inclusive sua esposa moribunda (Rachel Weisz). A última versão é Tom, explorador do próximo milênio tentando entender os mistérios que o perseguiram por toda sua vida, que, diga-se de passagem, foi muito mais longa que a de um homem normal.
Não existe tempo nem espaço. Passado, presente e futuro excluem a linha imaginária erroneamente criada pelo homem e se confundem em um único ponto em torno do amor, da busca por respostas e pela ânsia da eternidade.
Com um ótimo argumento e um roteiro bem escrito, tirando algumas tentativas pretensiosas de surpreender o espectador que espera em vão por algumas respostas, Fonte da Vida contém algumas marcas registradas de Aronofsky supracitadas, como os tons em preto e branco e os closes que nessa ocasião são utilizados para comparar a pele humana com o invólucro da árvore.
Um filme cabeça com ótimos efeitos visuais, apelo estético sublime, como um bom Aronofsky deve ser, tem seu ápice em uma explosão de dourado com efeitos sonoros escolhidos a dedo durante a explosão de uma estrela que culmina na união do homem com seu eu interior. É para encher os olhos de belas imagens e a mente com infinitas indagações. Vale a pena.
Mário Pertile
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