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A Magia e a Emoção da 7ª Arte

A cada dia que passa eu amo mais o cinema. Não pelos motivos óbvios da arte, da emoção e do entretenimento. Mas pela capacidade que o mesmo tem de unir pessoas através da opinião. Há algum (pouco mas produtivo) tempo, fiz um grande amigo, Mau Saldanha, através da indicação de outro amigo, para a participação como convidado no RapaduraCast (podcast do Cinema com Rapadura, a conferir no player abaixo) onde participaram o editor do site e Maurício.





A partir daí, trocamos seguidamente muitas idéias sobre cinema e é claro sobre uma paixão em comum, um dos assuntos deste blog, o seriado LOST.

Dada esta breve introdução ao post, vamos ao real motivo dele, falar sore a magia e a emoção da 7ª arte. Maurício possui um veículo em seu blog, o Cabine Celular, onde, como o próprio nome sugere, após sair de uma cabine de imprensa, grava com seu faz-tudo móvel a impressão instantânea sobre a obra. E este veículo tem feito bastante sucesso na web, pelo seu formato e por tratar o cinema sem o virtuosismo comum da crítica especializada. É realmente a opinião de cinéfilo para cinéfilo.

Em uma edição recente do Cabine, foi explícita a expressão da magia do cinema, do poder que ele tem de unir pessoas que possivelente não seriam unidas aos acaso. Juntam-se ao cinema as possibilidades da era digital. Pronto, está feita a convergência da informação, da amizade e da paixão em comum.

Sem delongas, um leitor/web-espectador do Maurício baixou a edição do Cabine Celular sobre o filme Era uma Vez, de Breno Silveira, sideloadeou para seu celular e, em uma sessão de pré-estréia com a presença do diretor, apresentou o Cabine Celular, com direto a fones de ouvido e tudo, como deve ser assistida esta mídia. E o fez se emocionar. A imagem fala por si só. Segue então abaixo a versão original desta edição do Cabine, seguido do momento em que Breno assiste a video-crítica com a voz embargada e lágrimas nos olhos, dando seu FeedBack para o Maurício. Isso é a internet. Isso é a era digital. Isso é o cinema. E isso são boas idéias dando resultado. E tem gente que diz que é perda de tempo ou coisa de vagabundo. Vai entender....Abraço Maurício!


CABINE CELULAR



Breno Silveira assistindo ao Cabine Celular




Posted on 11/28/2008 by Mário Pertile and filed under , , | 0 Comments »

O Terror e os Animais de Santa Catarina

Para justificar este post, já que o blog se dispõe a falar de cinema e/ou propaganda, devo mencionar que logo logo alguém conseguirá verba para produzir um filme sobre o desespero causado pelo caos gerado em razão das revoltas climáticas em Santa Catarina. Vai ser um filmaço catástrofe de tirar o fôlego. Gostaria que fosse produzido por J.J. Abrams e dirigido por Drew Goddard, em razão dos inúmeros vídeos amadores sobre deslizamento de terra, desabamento de casas, inundação de ruas, saques a estabelecimentos comerciais, carros levados pela correnteza, pessoas ilhadas em suas próprias terras, helicópteros de resgate pra lá e pra cá, postados no Youtube. Imagina, Santa Catarina sendo devastada no maior estilão Cloverfield...Blockbuster mundial certo.

Dito isto, serei curto e grosso: Pessoas que não honram a amizade oferecida pelo seu animal de estimação merecem morrer afogadas e soterradas. Bem devagar...

Podem me chamar de fascista, desumano, incoerente, radical e o caralho, mas não pude deixar de ficar indignado com uma gravação veiculada em looping contínuo e apelativo pela BAND, no dia 25 de Novembro de 2008, por volta das 17:00 horas, onde um helicóptero da FAB digno de cinema, daqueles que comportam a vizinhança de uma rua inteira, com soldados camuflados e tudo, para nenhum Oliver Stone botar defeito, resgata uma família ilhada.

A cena que tem tudo para ser emocionante no melhor sentido da expressão desde seu início (não fosse a narração sensacionalista do Datena) tem um final decepcionante, deprimente, que me faz perder toda a pontinha de esperança que (ainda) me restava pela raça humana. Explico:

Tudo muito heróico. A família que há 4 dias estava isolada por terra, sem água, luz nem comida, abanando lá de baixo enquanto o helicóptero se preparava para aterrissar, era uma imagem de tirar o fôlego. Dava até para ouvir mentalmente a trilha sonora da cantata cênica Carmina Burana, de Carl Orff. Realmente empolgante ver o exército entrando em ação em um país onde felizmente não existe guerra (???), para salvar pessoas em risco de vida. Tudo na mais perfeita sincronia.

Militares descem correndo e começam a trazer os membros da família que um a um passam a ocupar seus lugares no trambolho voador de duas hélices. Os bravos soldados do exército traziam a tiazinha de uns 70 e poucos anos, fraca pela privação de alimento, no colo, naquela posição de cadeirinha, um de cada lado, quando de repente aparecem os cachorros da família, visivelmente felizes pelo regate. Os cachorros passavam a nítida imagem de, da forma deles, estarem colaborando com o resgate. Acompanhavam membro por membro da família até o helicóptero e, após um fulano estar em segurança no passarão de ferro, voltavam para casa para acompanhar mais um dos donos. Eu, na minha vã inocência formada por Roberto Gomes Bolaños, acreditando no sentimento humano, esperava obviamente que os mesmos fossem resgatados. Quando, para minha surpresa, o renomado jornalista citado fala diante da câmera, de dentro do helicóptero:

"Olha os cachorros acompanhando o resgate, infelizmente não serão resgatados porque podem ocupar o lugar de uma criança."

PULTA Q'OS PARIU! Olha o tamanho daquela bagaça! Dava pra jogar uma partida de futebol de salão lá dentro....

Me pergunto: Quantos lugares de crianças os 120kg do Datena, mais um equipamento televisivo e ainda um cinegrafista podem ocupar???

Os coitados dos cachorros estavam aflitos com toda movimentação, assistindo aos seus donos sumirem no helicóptero um a um, e mesmo assim voltavam e acompanhavam o trabalho do exército.

O que mais me irrita não é o sensacionalismo abusivo de um jornalista que não tem nenhum outro motivo para estar presente no ocorrido, sendo que o mesmo estava no estúdio apresentando as imagens, narrando os fatos em cima da sua própria narração gravada, a não ser aparecer.

Me enoja mais ainda o fato de, em momento algum, NENHUM daqueles moradores esboçar um mínimo de preocupação para com seus animais, sequer dirigiram um olhar de pena, aflição ou culpa aos quadrúpedes. Simplesmente correram no melhor estilo salve-se quem puder, sebo nas canelas, pernas pra que te quero, cada um por si e Deus por todos.

O amor de um animal é o único amor incondicional que existe, em se tratando de cachorro especificamente. Ele não espera nada em troca. Nem comida. Nem água, nem nada. Vide cachorros de moradores de rua que, em troca e carinho (ou muitas vezes uns bons pontapés, facadas e olhos furados) são inseparáveis, independente da ocasião.

Quem não tem uma relação muito estreita com os animais e por ventura possa estar lendo este post deve estar pensando "Porra Mário, vai pro diabo! A situação estava crítica, ninguém tinha condições de pensar em um animal.." Ok, pensa assim....porque a única coisa que eu consigo pensar neste exato momento é que agora são 03:45 de manhã e fazem 4 dias, 18 hora e 15 minutos que os cachorros estão com fome, com sede e com saudade dos seus donos. E não consigo dormir.
Posted on 11/25/2008 by Mário Pertile and filed under , , | 4 Comments »